Violência em SP é reflexo da ausência de políticas públicas no enfrentamento do crime organizado, diz especialista

14 de dezembro de 2012



Os ataques criminosos em São Paulo deixam a população com medo e as autoridades públicas tentam encontrar uma maneira de conter essa onda de violência. Segundo Luiz Godoy, Delegado da Polícia Federal e autor do livro O Crime Organizado e seu Tratamento Jurídico Penal (Campus/Elsevier), uma das características das organizações criminosas é justamente o “poder de intimidação”, que pode ser de ordem política, financeira ou com violência contra a população, para causar um estado de terror na sociedade. Assim, a instabilidade social gera grande insegurança e acaba por gerar descrédito aos órgãos públicos. Os últimos atentados praticados na Grande São Paulo nada mais são do que reflexo da ausência de políticas públicas no enfrentamento da criminalidade organizada.

“Alguns fatores colaboram para o fortalecimento do crime organizado, como a falta de investimento em presídios que possam comportar a crescente massa carcerária, a debilitação dos órgãos de segurança pública na prevenção e repressão a criminalidade urbana, como também o próprio desvio da função de agentes públicos de todas as esferas da administração pública”, cita o especialista.

Godoy lembra ainda que há décadas especialistas na área de segurança pública demonstram através de estudos a necessidade de construção de penitenciárias de segurança máxima e média, de modo a evitar a superlotação e o convívio de presos comuns com aqueles de alta periculosidade. Além disso, ele acredita que o investimento em programas de recuperação e readaptação do preso para a volta ao convívio em sociedade é falho, uma vez que nossas cadeias tornaram-se um verdadeiro depósito de uma raça considerada sub-humana, marginalizada, indigna, sem qualquer perspectiva de sobrevivência fora do mundo do crime.

“Nesse sentido, o Poder Público, focou sua política de enfrentamento à criminalidade em ações pontuais e isoladas, baseado em índices estatísticos de crescimento da taxa de homicídio, ou mesmo crimes contra o patrimônio (furto, roubo, latrocínio etc.). Assim, deixou que a criminalidade organizada pudesse se articular e capitalizar em crimes como o tráfico de drogas, roubo e sequestro”.

Para acabar com a insegurança e o medo que essa onda de violência traz principalmente aos paulistanos, o delegado acredita que é preciso mudar a forma como o poder público trata o assunto e tentar combatê-lo não de forma paliativa, como vem acontecendo, aumentando a presença das forças policiais nas ruas e a repressão violenta aos supostos integrantes do partido. É preciso investir na valorização profissional e pessoal do policial, além de estratégias na área de inteligência para identificar o seio de uma organização criminosa.

Apesar das dificuldades e desafios que isso representa, Luiz acredita que ainda tem solução e a situação não é irreversível.

“Sem dúvida nenhuma a situação é reversível. Alguns países como a Colômbia, por exemplo, em passado recente, passou por situações de proporções ainda mais graves do que a que vive a cidade de São Paulo nos dias de hoje – atentados contra autoridades, sequestros, resgates de presos, e explosão de prédios públicos. Por sua vez, criaram forças-tarefas com investimento pesado na área de inteligência, inclusive com a aplicação da doutrina norte-americana no combate as associações de narcotraficantes. Assim, além das estratégias de combate ao crime organizado, há imperiosa necessidade de se aplicar efetivamente a lei, de modo a evitar a impunidade, cujo nefasto efeito acaba por gerar descrédito do próprio judiciário e encorajar a criminalidade organizada a praticar ações como estas. 


 
Matéria redigida por Paula Martini, do núcleo de cultura da Arteiras Comunicação.


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